Ao selecionar ingredientes como uma menina de tranças, um
jovem poeta amante de música, um médico “bom partido”, cartas secretas e paixão
Gabriel García Márquez poderia ter preparado
um belo melodrama, mas o que ele serviu foi um banquete de sentimentos que satisfaz
paladares exigentes.
Considerado seu romance mais notável, O Amor nos Tempos do Cólera conta a historia do triangulo amoroso
composto por Fermina Daza, Florentino Ariza e Juvenal Urbino, personagens marcantes de uma narrativa que
decorre cinquenta e três anos, quatro meses e onze dias. Ambientado no Caribe
do Século XIX, tem como pano de fundo o Cólera, a Guerra Civil e outras questões
sociais, apresentadas de forma intensa e emocionante.
Baseada na vida de seus pais, a obra de Márquez traz questões diversas acerca de relacionamentos estabelecidos
em uma sociedade marcada por convenções e preconceitos, salientando nuances dos
arroubos juvenis à serenidade da velhice, alcançando núcleos e personagens distintos,
não se limitando ao trio.
Redigido com sutileza, ingênua sensualidade e humor requintado,
o texto é salpicado com detalhes que temperaram de forma envolvente, resgatando
sentimentos já recolhidos, conferindo-lhes novos cheiros e gostos, permitindo
que avaliemos os limites que infligimos às próprias emoções.
“Tinham ficado para
trás os acasos deliciosos dela entrando enquanto ele tomava banho, e apesar das
discussões, das berinjelas venenosas, e apesar das irmãs dementes e da mãe que
as pariu, ele tinha ainda bastante amor para pedir a ela que o ensaboasse. Ela
começava a fazê-lo com as migalhas de amor que ainda sobrava da Europa, e os
dois iam se deixando trair pelas lembranças (...).” – Pág. 259
Reserve a melhor poltrona, programe A Morte e a Donzela de Schubert em um volume agradável para
harmonizar com Bruschettas de Berinjela e deleite-se: sabor, dramaticidade e elegância
na medida desta história de amores, sabores e musicalidade.




