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8 de agosto de 2012

SOBRE LETRAS E PANELAS

O Cemitério de Praga (Umberto Eco)


O tempo passou, o sentimento mudou e a vida recomeçou (mais feliz).

Inspirada pela reforma da cozinha adquiri outros ingredientes e voltei a cozer letras, agora não para preencher o “buraco no estômago”, mas para experimentar novos sabores e transbordar o paladar da alma.

Provando um livro aqui outro ali, escolhi os que me alimentam e iniciei o preparo de pratos diversos, cheia de idéias e fome suficiente para devorar uma estante.

Panelas, digo que voltei!


11 de junho de 2010

PREÂMBULO



Da minha infância lembro-me bem do gosto da carambola madura tirada do pé, da textura da banana frita com mel, do bolo de fubá com coco, este último degustado na companhia de minha avó, em sua varanda de ladrilhos.

Naquela varanda ela me oferecia, além de guloseimas, "causos", histórias e suas músicas prediletas, que dividiam espaço com a algazarra dos pássaros que moravam na árvore de frutinhas vermelhas.

Quando me via sozinha, aquele lugar se transformava em salão de baile, casa de chá e muitos outros cenários – tantos quantos fossem descritos nos livros antigos que eu lia ao sabor dos quitutes preparados com amor e empenho.

Eu cresci, a presença de minha avó se fez etérea, mas elementos daquela infância saborosa, literalmente, ainda povoam meu espírito.

Hoje tenho um terraço, flores e, eventualmente, a companhia de pássaros que me remetam à algazarra de outrora.

Preparo um prato, escolho um livro e me acomodo para viver novas histórias, que muitas vezes cruzam-se com as que me eram contadas à doce voz.

Entre, escolha um volume. Apreciemos juntos o sabor do saber.